Pais devem ficar atentos às moleiras dos recém-nascidos

Neurocirurgião pediatra destaca problemas estéticos e funcionais que podem acometer os bebês e fala do tratamento e as cirurgias menos traumáticas

Popularmente conhecidas como moleiras, as fontanelas são uma das preocupações mais recorrentes dos pais logo após o nascimento de seus filhos. Tratam-se das aberturas existentes entre os ossos do crânio, separadas por linhas chamadas de suturas. Na medida em que a criança cresce, as moleiras são fechadas naturalmente.

Porém, em alguns casos, as fontanelas acabam se fechando precocemente. De acordo com o neurocirurgião pediatra e presidente da Sociedade Mineira de Neurocirurgia, José Aloysio Costa Val Filho, quando as suturas se fecham precocemente, pode haver o que chamamos de Craniossinostoses (Cranioestenoses).

A craniossinostose tem incidência de um a cada 2000-3000 nascimentos. Durante o primeiro ano de vida, o cérebro da criança pela doença chega a dobrar de tamanho. Quando o crânio tem restrição ao seu crescimento, como na craniossinostose, pode causar problemas funcionais e estéticos e, o mais grave , ao impedir o crescimento normal do cérebro.

Problemas estéticos e neurológicos

Ele salienta que, com o fechamento das suturas, a forma do crânio pode ser modificada, levando a problemas estéticos e até neurológicos, caso o cérebro passe a ser comprimido pelas estruturas ósseas. O especialista enumera os principais tipos de cranioestenoses e suturas: escafocefalia (sagital), trigonocefalia (metópica) e plagiocefalia (coronal ou lambdoide).

Atenção dos pais para diagnóstico precoce
José Aloysio ressalta que, na maioria das vezes, a condição é causada por uma mutação que ocorre na geração da criança, não havendo caráter familiar. “Existem também formas genéticas, mais complexas e associadas a outras malformações. Nestas, os tipos mais comuns são as Síndromes de Crouzon e Appert”, acrescenta.

Nesse sentido, orienta que os pais devem estar atentos a quaisquer alterações na face ou crânio da criança, realizando todos os exames de rotina junto a um pediatra. Ainda segundo ele, pela tomografia computadorizada 3D de crânio é possível realizar a avaliação das suturas cranianas e a programação cirúrgica mais adequada para cada tipo de craniossinostose.

Cirurgias menos traumáticas
O neurocirurgião alega que, identificado o problema, boa parte dos casos necessita de tratamento, sendo a maioria por meio de intervenção cirúrgica ainda no primeiro ano de vida. O momento para a realização da cirurgia irá depender do tipo de cranioestenose e do crescimento do cérebro do bebê.

Em casos de escafocefalias, por exemplo, a cirurgia é indicada quando a criança alcança 3 kg, independente da idade. Para os demais casos, é preferível que o bebê tenha três meses de vida e 5 kg. De forma geral, quanto antes for realizada a cirurgia, melhor o prognóstico, aproveitando assim o desenvolvimento cerebral que ocorre no primeiro ano de vida. “Realizando o procedimento precocemente evitamos problemas estéticos, más formações na face e no crânio, além de problemas neurológicos decorrentes da compressão do cérebro pelo crânio”, explica.

Ele salienta que, atualmente, existem métodos e equipamentos que trazem maior segurança e menor tempo de recuperação à criança. “A medicina possui uma gama de equipamentos modernos que permitem operar o paciente de forma menos traumática, mais eficiente e com menor perda de sangue”, elucida o especialista destacando os cranióstomos, além de aparelhos herdados da cirurgia odontológica, que permite abrir o osso sem lesar as estruturas moles que estão abaixo, essencial na neurocirurgia.

O passo seguinte, segundo José Aloysio, é a reconstrução do crânio, utilizando materiais que ajudem na sua fixação. Porém, como tratam-se de bebês, são usadas placas e parafusos de polímero que, por sua vez, são absorvidas pelo corpo da criança e eliminadas na forma de água pela urina, suor e vapor d’água na respiração. “Assim, um ou dois anos após a cirurgia, não há resquício do material no corpo da criança”, diz.

Sobre a Fonte
Médico formado pela Faculdade de Medicina da UFMG é mestre em cirurgia pela UFMG. Possui especialização em neurocirurgia Infantil. É ex-presidente da Sociedade Mineira de Neurocirurgia e da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica. Membro da International Society for Pediatric Neurosurgery.

Desde 1991 atua no Serviço de Neurocirurgia do Hospital Biocor, sendo coordenador da Neurocirurgia Infantil e preceptor da Residência de Neurocirurgia. Atua, também, como Neurocirurgião Pediátrico no Hospital Vila da Serra. É Tenente Coronel Médico da Reserva da PMMG, onde atuou de 1990 a 2010. Foi o fundador e Presidente do Comitê de Ética para Pesquisa em Humanos por três anos.

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